No sétimo vão tenho pão e vinho sobre a mesa, a mágoa acontece, e eu digo que o céu é um pano mal esticado.
Recordo o céu desta viagem, onde era suposto os peixes beijarem-se na boca, e talvez o horizonte seja um risco de faca. Existe um segredo que em nós santifica, no dia em que se descobriu o amor, e as rosas deveriam nascer nos peitos das mulheres.
Flávio, se digo que sangue é poesia, cada poema é um filho teu, digo-te também que desenhas palavras como quem inventa um silêncio a precisar de ser renovado.
De nada vale a solidão se não poder adormecer no fim da praia, enquanto me lês uns versos do Aleixo e quando um velho piano tocar, esgotam-se os minutos e há todo um desassossego que espera.
Nunca digas adeus. Some-te por entre o nevoeiro...
Este texto foi construído de alguns dos títulos dos textos do nosso Flávio Silver e que estão no livro que ele editou, chamado “Sétimo Vão”. Um livro que recomendo a todos com conhecimento de causa. Quer por conhecer o Flávio e a sua escrita daqui do Lusos, mas também porque já tive oportunidade de o ler.
Quem quiser adquirir este livro pode fazê-lo através de e-mail para flaviolopesdasilva@sapo.pt.
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Aug 25, 2008 6:49 PM
Estende a tua mão e sente-me.
Ignora o supérfluo...atinge o desejado.
Desvenda os mistérios escondidos, decifra cada cicatriz,
cada poro, cada traço.
Estende a tua mão e toca-me.
Os teus dedos são sensações de loucura,
plenos de desejos camuflados, escritos, devorados, assumidos.
Estende a tua mão e não digas que nunca te senti!
Os olhos descobrem a alma
a boca sensualiza o desejo.
E o toque dessa mão é tão subtil e apaixonado!
Percorre-me o vento da loucura.
Ardem em mim fogueiras milenares.
Estende a tua mão e mergulha nos meus sonhos,
sente a minha realidade,
engole a minha alma,
possui a minha carne e o meu eu.
Estende a tua mão e sê quem sou.
Percebe como amo e como quero,
até ao fim, sem soluções, sem trâmites.
Paixão pura, desejo insondável, réplica de terramoto emocional.
Estende a tua mão e ama.
Não te prendas com o que te rodeia,
não me troques pelas imagens do mundo apocalíptico.
Existo em ti, no teu sonho e na tua realidade.
Preciso da tua rendição, do teu suspiro sussurrado.
Vês o infinito nos meus olhos?
Sentes o imaginário na minha pele?
Receias a sensualidade dos meus beijos?
Estende a tua mão e sonha.
Apareço-te na névoa da lembrança...mas quero-te.
Nuvens, sonhos, fantasias, nada são.
Querer é mais.
Querer é ter.
Querer é possuir e sentir o objecto de desejo.
Estende a tua mão e descobre-me!